Paulo Scott
................ (recorte parcial do que foi dito na imprensa e páginas eletrônicas sobre a obra do escritor) ...
Novembro 30, 2009
SENHOR ESCURIDÃO (QUINZE)
FOTO - DIVULGAÇÃO (POR EDSON KUMASAKA)
SENHOR ESCURIDÃO (CATORZE)
LEIA LIVROS (POR RAMIRO RIBEIRO BATISTA)""Senhor Escuridão", de Paulo Scott, não tem este título à toa. É para amedrontar mesmo, causar insegurança, pânico, antes e, principalmente, durante a leitura. Para ser leitor de Paulo Scott, saber ler e compreender é insuficiente. Para ler “Senhor Escuridão”, então, é preciso munir-se de amuletos, mapas e até de um bom rolo de barbante para não se perder nessa escrita labiríntica, que, até agora, é inclassificável. Ao ler “Senhor Escuridão”, precisamos de todo o tempo do mundo, pois, ao acharmos que entendemos e estamos no caminho, é exatamente quando nos damos conta de que fomos enganados e precisamos voltar e começar tudo de novo. Mas não pense que é perda de tempo. Nem adianta tentar se socorrer com os títulos dos textos, confundem-nos ainda mais. É um jogo traiçoeiro e divertido de memória, que vicia como anfetamina. E o leitor pode tranquilamente se perguntar se a droga não esta misturada no branco das páginas, nas dobras das orelhas, ou escondida sob o relevo do monstro da capa. Para não dizerem que exagero, quem nos apresenta a obra é Paulo Bentancur, numa das orelhas, intitulando “Leia a bula”. Pois “Senhor Escuridão” é isso e muito mais, precisa de bula, ou até um manual de instruções. É preciso ver para crer, digo, “ler” para crer. Sei que, apenas contando, ninguém acredita. Como bem disse o escritor Carpinejar, em “A timidez do monstro”, “Paulo Scott é um possuído”. Quando o leitor acaba de ler o livro, tem vontade de ler de novo, ou então correr para a livraria e ver se o Paulo Scott não lançou outro, ou uma continuação, ou até ver se já não tem algum discípulo ou seguidor que tenha lançado algum fanzine. “Senhor Escuridão”, particularmente, segue a mesma linha caótica e labiríntica, de “Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros” (2001) e de “A timidez do monstro” (2006)."
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Julho 07, 2009
ITHACA ROAD
FOTO - DIVULGAÇÃO (POR RENATO PARADA)
Abril 16, 2009
VOLÁTEIS (VINTE)
TRIBUNA DO NORTE - NATAL (POR CARLOS DE SOUZA)"Era um começo de noite e eu já não conseguia encontrar nada de interessante para ver na TV, além do seriado House. Então peguei este livro de Paulo Scott e fui para a cama. Bastou a leitura de duas páginas para não conseguir mais pregar o olho. A claridade da manhã já banhava de luz o quarto e o galo do vizinho começava sua cantoria quando fechei a última página. Fiquei embasbacado, andando pelo quarto, sem querer mais dormir. Então, ainda escrevem coisas assim no Brasil, meu Deus, repetia como um mantra. (...) Paulo Scott é um exímio equilibrista da linguagem. Não deixa você tomar fôlego. A linguagem é fragmentada e ao mesmo tempo lírica, prendendo o leitor a cada linha."
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Setembro 09, 2008
CRUCIAL DOIS UM (OITO)
DIONES CAMARGO (PARA O BLOG DE TEATRO DO CLIC RBS)"(...) posso citar aqui uma pequena lista daqueles que de alguma forma estão produzindo obras interessantes para uma atualização da dramaturgia gaúcha: Felipe Vieira (Intensidade I - Voar), Carina Sehn (Código de Barras), Paulo Scott (Crucial Dois Um), Mary Farias e Paulo Gleich (os dois últimos ainda inéditos nos palcos). Em comum todos buscam uma expansão das possibilidades narrativas até aqui experimentadas. Além da preocupação com a forma e — principalmente — o discurso, esses autores partem de referências contemporâneas para abordar temas atuais, buscando o diálogo com espectadores que possivelmente não se sentem identificados com a maior parte dos conflitos e personagens representados no palco."
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Agosto 28, 2008
AINDA ORANGOTANGOS (TRINTA)
DANIEL FEIX - SEGUNDO CADERNO - JORNAL ZERO HORA"Ainda Orangotangos, o livro de Paulo Scott, é um painel contundente de uma Porto Alegre habitada por pessoas que se movem impulsionadas por instintos e razões às vezes não-civilizadas (...)"
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Agosto 12, 2008
ITAÚ CULTURAL - PECHA KUCHA NIGHT SÃO PAULO
FOTO POR CHRISTINA RUFATTO
Maio 29, 2008
VOLÁTEIS (DEZENOVE)
MARCIO MASSULA JUNIOR NO BLOG UROBOURO"Sei lá porque teimava em associar a literatura do Paulo a um certo nicho que não me faz muito a cabeça. Ledo engano. O romance é permeado de personagens interessantes - uns fazendo apenas rápidas aparições, a propósito. A narrativa é sólida, o texto flui e o final surpreende. O que mais um leitor poderia querer?"
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Abril 17, 2008
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E NOVE)
LIMA TRINDADE (ESCRITOR E EDITOR DA VERBO21)"Me agrada muito a linguagem direta, clara, mas não árida, sem entrar na onda da 'linguagem jornalística', sem aderir a modas. Às vezes, quando estava lendo e terminava um conto, precisei parar, respirar, deixar aquela sensação passar para me jogar no próximo conto. O livro já começa porrada. Sem embromações."
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Março 11, 2008
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E OITO)
CORREIO BRAZILIENSE - CADERNO PENSAR (POR SÉRGIO DE SÁ)"(...) O que escrever mais? O que acrescentar? Que é preciso concordar com tudo o que se disse sobre Ainda orangotangos? Que o livro se lê sob forte impacto numa tarde brasiliense chuvosa, ainda que o corpo do leitor não esteja na melhor das condições? Que as histórias (enxutas, enxutas) seduzem a ponto de querermos voltar para verificar de onde nasceu aquele efeito? (...) O gaúcho Paulo Scott tem três livros de poesia no currículo e um romance. Esta primeira experiência no conto também impressionou o cineasta Gustavo Spolidoro, que decidiu transformar a obra em seu longa-metragem de estréia, inédito na cidade, já exibido em festivais no Rio e Tiradentes (MG). Juntou, adaptou e filmou. Esperar para ver. "
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Fevereiro 18, 2008
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E SETE)
REVISTA O BINÓCULO (JOÃO PAULO TEIXEIRA EM CRÍTICA AO FILME)"(...) Ainda orangotangos tem no título forte crítica à sociedade, nos remetendo à barbárie usual dos primatas (...)"
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Novembro 18, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E SEIS)
O GLOBO - CADERNO PROSA & VERSO (POR ANTONIO MARCOS PEREIRA)"Ainda orangotangos é um livro mínimo: são 22 contos breves e, com menos de cem páginas, é possível lê-lo em uma sentada. Nele, há duas vertentes. Por um lado, Paulo Scott investe em narrativas mais ou menos lineares, que flertam eventualmente com o bizarro e o mórbido, mas que têm também lugar também para o ordinário. A matéria-prima desses contos é a observação e a valorização de incidentes que se tornam invisíveis em sua ocorrência freqüente nos grande centros urbanos.
Esses investimentos se opõem a outra tendência na qual impera sempre alguma forma de delírio, e somos convidados a visitar situações de estranheza, anomalia e abjeção: o universo é hostil, a vida é sempre urbana e sempre febril, os personagens são impermeáveis e as tramas não são exatamente disponíveis ao leitor (são, na melhor das hipóteses, passíveis de ser inferidas por nós).
Essas duas vertentes têm em comum o universo temático, quase sempre entre o marginal, o insólito e o mórbido. Além disso, todo livro transpira um ceticismo generalizado e uma visão disfuncional do presente e do futuro: em nenhum momento há um sucesso inequívoco, e todas as narrativas apontam para algum tipo de falência, impossibilidade, impotência. (...)"
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Outubro 30, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E CINCO)
JORNAL DO COMÉRCIO DE PORTO ALEGRE (POR KELI LYNN BOOP)"Os relatos são quase sempre de extrema concissão, não ultrapassando duas páginas. O formato permite ao autor gaúcho, porém, demonstrar a habilidade que possui em tecer tramas densas."
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Outubro 29, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E QUATRO)
JORNAL ZERO HORA (POR FABRÍCIO CARPINEJAR)"Scott nada além da arrebentação. É imprevisível de um jeito peculiar. Traz personagens que já explodiram, já enlouqueceram, e não estão interessados em negociar."
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Outubro 28, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E TRÊS)
JORNAL O ESTADO DE S. PAULO (POR FRANCISCO QUINTEIRO PIRES)"Os personagens dos contos do escritor gaúcho Paulo Scott estão em conflito. Perderam, e não lembram onde, aquilo que os tornaria seres humanos. Vivem situações-limite, à beira do surreal, num tom seco, brutal, fechado a alternativas. (...) o contista fala do desafio de existir, sobretudo nutrindo esperanças e lucidez. Scott ilumina a face tenebrosa dessas caricaturas humanas sujeitas a comportamentos bizarros, grotescos e - o mais importante, embora perturbador - familiares. Como se qualquer um pudesse cometer as mesmas insanidades e excessos, apesar da impossibilidade de admiti-lo."
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Outubro 25, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E DOIS)
JOSÉ CASTELLO (CRÍTICO & ESCRITOR)"(...) Não é outra coisa que Scott enfrenta em seus contos: os nervos. Ele trata desse fio de dor em que o homem deixa de ser homem. Vai até o depois do humano - que, grande horror, ainda é humano. (...) Frases rápidas, tiros, cortes, disparos. Cenas que saltam à nossa frente, sustos, golpes. Palavras que deslizam em significados insuspeitos, venenos. O bem e o mal diluem-se no tédio. Personagens que mal aparecem, que se esquivam, que se escondem. Sem nomes, sem perfis, sem psicologia, agentes secretos a circular no grande turbilhão do real. (...) Os contos de Scott perseguem o ser humano ali onde ele é mais humano, e mais desumano também. Ali onde tudo fracassa e, em meio à derrota, num sopro de coragem, o homem, apesar de tudo, vence."
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AINDA ORANGOTANGOS (VINTE E UM)
DANIEL GALERA (TEXTO DE ORELHA DA REEDIÇÃO DO LIVRO)"Dos escritores brasileiros que começaram a publicar no novo milênio, Paulo Scott é não apenas um dos mais talentosos, mas também um dos mais versáteis. É autor de dois belos e enigmáticos volumes de poemas (A timidez do monstro e Senhor escuridão, 2006) nos quais a poesia é torcida quase até o limite do inteligível, de um romance policial (Voláteis, 2005) que oferece uma ação envolvente sem perder de vista a excentricidade de seus personagens e da peça Crucial Dois Um, um pesadelo futurista levado aos palcos em 2007 por Gilson Vargas. Antes disso tudo, em 2003, Scott havia lançado pelo pequeno selo editorial gaúcho Livros do Mal a antologia de contos Ainda orangotangos, agora reeditada pela Record. É difícil sintetizar o universo da prosa de Scott. Em parte, os episódios narrados são flagrantes típicos do conto moderno, como em Casacas grenais e Carros velozes, dois contos de formação em que conflitos cotidianos marcam a trajetória de jovens personagens. Na maioria dos contos, porém, estamos diante de histórias bem menos ortodoxas, seja pelo tema ou pela composição de clima, como é o caso do conto que dá título ao livro, dotado de uma atmosfera sufocante e de um narrador difuso que lembram um pouco certos textos de João Gilberto Noll. Scott corre diversos riscos, mas sempre se safa. Pusilânimes no café da manhã é um relato paranóico que se resolve com inesperado humor e Rascunhos do diabo parte da trágica biografia de um homem comum para desembocar, nos instantes finais, numa fábula de terror. E em diversos contos, como O molúsculo e o esquizóforo, as mulheres surgem como os seres fascinantes e difíceis de interpretar que de fato são. A mágica de Scott é saber amplificar sem medo a estranheza de suas histórias sem prejudicar o subtexto dramático de cada conto. A busca da palavra exata, em vez de especificar ou revelar, oculta e insinua. “O vagão balança como um torniquete frouxo, desejoso por descarrilar, nadando nos míseros segundos da queda (primeiro pela grama coberta de gelo, depois encosta abaixo), como teus dedos mortos em minha boca”, diz o narrador de Robalos. São frases em que a imaginação do leitor se refestela."
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Outubro 09, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (VINTE)
CINEMIROIR (POR MIGUEL DO ROSÁRIO)"Baseado em contos de Paulo Scott, o primeiro longa-metragem de Spolidoro mostra uma Porto Alegre viril, trágica e esquizofrênica. Uma panela de pressão no interior da qual fervem ambição, gênio e violência."
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Outubro 01, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (DEZENOVE)
CAPA (POR PAULO CAETANO)
Setembro 28, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (DEZOITO)
CARTAZ (POR FABIO ZIMBRES)
AINDA ORANGOTANGOS (DEZESSETE)
JORNAL O GLOBO (POR RODRIGO FONSECA)"A trilha sonora, de artistas locais, faz do filme uma espécie de ópera marginal. Exibido no Odeon, à meia-noite, o filme deixou atônita uma platéia que parecia estar diante de um trem-bala de linguagem. Referências ao clássico udigrudi "Bang Bang", de Andrea Tonacci, tornavam a fita ainda mais possante em sua invenção de tipos dignos do mais bizarro delírio de David Lynch."
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Setembro 17, 2007
AINDA ORANGOTANGOS (DEZESSEIS)
CARTAZ (POR FÁBIO ZIMBRES)
AINDA ORANGOTANGOS (QUINZE)
CAPA (POR PAULO CHIMENDES)
AINDA ORANGOTANGOS (CATORZE)
JORNAL DO BRASIL (POR CECÍLIA GIANNETTI)"Os contos colocam a violência no patamar do absurdo, com paroxismos de crueldade. (...) No conto 'Nada em cima do invisível', Scott manipula o inconsciente possível num ato de violência: 'Muito prazer, serei duas personagens desobedientes. Permaneça de joelhos, com a ponta da língua encostada na parede e não tire a venda dos olhos. (...) A música Kyrie, de Eduardo Reck Miranda, dá o tom sombrio pedido pelas personagens do conto, batizadas de Olhos de Boneca e Tatuada. O experimentalismo do CD combina com o estilo fragmentado dos textos (...)"
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AINDA ORANGOTANGOS (TREZE)
REVISTA TRIP (POR RONALDO BRESSANE)"O livro de contos é uma boa surpresa. Tem um ritmo delirante, como se escrevesse em transe."
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AINDA ORANGOTANGOS (DOZE)
JORNAL PORTO&VÍRGULA (50ª FEIRA DO LIVRO - POA)"Não tem muito papo. Ou tem, mas é um discurso breve, áspero, ou alheio à situação que ocorre. Paulo Scott pega pesado. Já está além dos identificáveis contos de horror, de atmosfera, ou do absurdo, ou de qualquer selo que pudéssemos emprestar-lhe. E se emprestássemos, algo devoraria. Algo no livro de Scott daria um jeito de, pior que perder o selo, encontrar nele o emblema de uma maldição que anuncia seu nome mas causa um lento massacre às coisas ao redor. No conto homônimo há uma data: 34 de agosto. 34, sem erro de revisão. O tempo nessa realidade sem a mínima misericórdia é outro. Outros são os homens. Ou são os mesmos, e nosso anacrônico coração é que resiste ainda? Acham que o resenhista exagera? Então peguem esta batata quente: (...) esse contista, convenhamos, não foi ao inferno e dele retornou, ainda está lá. E mais: é seu fundador. A questão que importa é que além do pop presumível, da influência dos quadrinhos, do rock mais agressivo e das marcas visíveis de um tempo que convive com a esquizofrenia como quem convive com um cachorro de raça, só que feroz, há a emoção estética de quem se depara com histórias (...) que acontecem na sua seca plenitude e dela não se afastam uma vírgula, continuando plenas, isto é, densas, trocando o que seria juvenil irreverência por relevância literária. Paulo Scott não brinca quando mostra os dentes. Não brinca quando escreve como quem escarva, com as unhas, na tela do computador, cenas e figuras que nos paralisam. Acabaram-se as férias de quem pretendia, nelas, ler Literatura. Pode ler, vale a pena. Mas as férias ficarão marcadas para sempre. Marcas que são hematomas na alma sensível de quem se acostumou a ser bem-tratado pela Literatura. Aí está uma nova literatura. Que nos maltrata, sendo boa."
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AINDA ORANGOTANGOS (ONZE)
BOLETIM - DANTES LIVRARIA (POR ANNA PAULA MARTINS)"O conto pode ser o que se descreve na volta de uma viagem. Descrevê-la é a garantia de não ter se perdido. O físico quando descreve uma rota conta com a experiência da fórmula. Um escritor narra a ida e se utiliza da vinda para concluir uma história. Uma narrativa curta dispensa todas as ramificações que explicam um caminho. Ela segue rápida ignorando tangentes, paralelas e perpendiculares. Não é romance, nem novela. Se exibe, filha da Poesia. Trajetória de poucas palavras com o intuito de chegar a algum lugar. Sento na areia da praia para conversar. Um amigo relata um drama que envolve muitas pessoas que moram numa outra cidade. Caíram todos no conto do dr. Jerkill, um tipo burro assassino que seduziu e traiu e seduziu e traiu até ser desvendado. Passaria o dia analisando aqueles fatos. Mas algo em mim está estremecido. A realidade humana não é bidimensional. Há um vácuo entre o desejo que desbrava e a compaixão que isola. Ainda Oragotangos está na minha casa. Tiragem de 600 exemplares, Livros do Mal. Quem o possui entrou em contato com um oráculo do instinto. Histórias curtas de viagens que não tem volta. A única garantia é a própria existência do autor. A luz da cidade onde mora o Paulo Scott é bem diferente da minha que é cheia de brilho, contraste e estala como tela da tv. Lá a violência não tem contorno e o limite não se revela. A fronteira está onde seu grau de miopia alcançar. (...)"
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AINDA ORANGOTANGOS (DEZ)
MARÇAL AQUINO (ESCRITOR)"Paulo Scott fala de lugares e personagens instáveis, gente capaz de poesia e brutalidade em igual medida, gente que abre caminho na vida às cotoveladas. Recomendo cautela neste território, cautela de quem será guiado por um cego através de um campo minado."
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AINDA ORANGOTANGOS (NOVE)
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL (ESCRITOR)"O que impressiona, nos textos de Paulo Scott, é a mágica de transformar o trivial em estranho e o comum em perguntas, quase sempre sem respostas. E esse é o papel da verdadeira arte, e prova - como já disse alguém - que a litertura é necessária porque a vida não é suficiente. Destaco o rigor formal: nenhuma palavra está demais e não falta nada; com essa essencialidade, Paulo Scott organiza sua narrativa sobre o fio da navalha, e o resultado é de uma inteireza impecável. Saúdo nesse jovem autor uma das mais interessantes vozes de nossas letras."
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AINDA ORANGOTANGOS (OITO)
CHARLES KIEFER (ESCRITOR)"Gosto da inquietação lingüística de Paulo Scott. Arte é transgressão, ousadia. Penso que os contos de Scott têm essas características."
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AINDA ORANGOTANGOS (SETE)
MÁRIO BORTOLOTTO (DRAMATURGO E ESCRITOR)"(...) "Ainda Orangotangos" é bom pra caralho. Paulo Scott, que está atualmente escrevendo um livro sobre a já lendária banda gaúcha Defalla, é do tipo que não brinca em serviço. Em 'Pusilânimes no café da manhã', um trote bobo e desnecessário como são todos os trotes vai provocar a ira inacalmável do narrador. Toda a tensão está lá, sem que o leitor entenda o que está acontecendo e o desfecho é fodaço. Coisa de quem tem a manha. Em 'Gentalha' é como se Patrick Bateman resolvesse marcar uma presença numa festa de aniversário da periferia. Vocês podem imaginar o estrago. E como bem definiu Marçal Aquino é um livro pra ser lido com cautela. 'Cautela de quem será guiado por um cego através de um campo minado'."
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AINDA ORANGOTANGOS (SEIS)
MARA CORADELLO (ESCRITORA)"Seu livro Ainda Orangotangos ainda ressoa em mim no cotidiano: fatos, mortes e amores (os alheios) me fazem lembrar o que os personagens falsamente inacabados sussurram. Sussurram coisas inteiras. E o melhor é que ele parece isolado de modismos, dos rocamboles de sangue da transgressão, só o bastante, que na verdade lembra o antigo e sempre modo de pensar do cérebro animal, irracional ou não.
Do realismo fantástico do Sul (que até gosto) achamos quase nada, apenas há a fantasmagoria perfeitamente humana. E há uma poesia latente, um "desespero cool" que pontua respirações, descrições e situações. O livro sintético e denso (até incoerente usar adjetivos para falar do texto do Paulo Scott, que os usa com parcimônia exemplar) tem violência e paixão, sem hipérboles. Por essas e por outras seu blog é passagem garantida para mim, todos os dias."
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AINDA ORANGOTANGOS (CINCO)
DELFIN (ESCRITOR E EDITOR)"Paulo Scott, o autor deste livro, não é nem um pouco louco, apesar das insanidades que acontecem em seu segundo livro, Ainda Orangotangos. Não, deixe-me voltar atrás a tempo: ficção não é insanidade, é um exercício de possibilidades. E este exercício é colocado em cada parágrafo; e são parágrafos longos, acredite. Mas todos têm a suavidade necessária, quando necessário. E muitas dimensões, para quem tem olhos para vê-las. Boa parte destas possiblidades se sobrepõe no universo da cidade de Porto Alegre, que cada vez mais se torna o pólo de histórias que permeiam a multidimensionalidade da vida, como as que Scott conta, descascando as camadas da realidade aparente para que possamos vislumbrá-las, nem que seja só um pouquinho. Seu livro é acompanhado de uma trilha sonora composta especialmente para a obra, com destaque especial para Flu (que lançou recentemente No Flu do Mundo, um disco que todo mundo deveria escutar ao menos uma vez) e Paulo Campos. A trilha embala cada história. Talvez para tornar mais digerível ao leitor comum a sensação de estar entrando em lugares entreabertos, úmidos e distorcidos, os quais foram feitos para todos os atrevidos entrarem, mas que precisam de olhos fortes para encará-los de frente. Você pode não estar preparado para isto, mas Scott não se importa nem um pouco. Porque ele também é atrevido. Uma qualidade que anda, por sorte, cada dia menos em falta na literatura brasileira."
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AINDA ORANGOTANGOS (QUATRO)
TADEU SARMENTO (ESCRITOR)"(...) 'Ainda Orangotangos', do Paulo Scott, é música para meus ouvidos (...)
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AINDA ORANGOTANGOS (TRÊS)
NELSON DE OLIVEIRA (REVISTA IDIOSSINCRASSIA - PORTAL LITERAL)"A prosa produzida pelos jovens escritores, por essa moçada que estreou em livro depois da virada do século, é bastante diversificada. Nunca se publicou tanto e tão bons livros. Ao ler A morte sem nome, do Santiago Nazarian, ou Ainda orangotangos, do Paulo Scott, ou Além da rua, do Rogério Augusto, ou os Contogramas, do Flávio Viegas Amoreira, ou o Corpo presente, do João Paulo Cuenca, ou os Dentes guardados, do Daniel Galera, ou o Encarniçado, do João Filho, ou o Húmus, do Paulo Bullar, ou o Mal pela raiz, do Jorge Cardoso, ou a Morte porca, do Wir Caetano, ou O cheiro do ralo, do Lourenço Mutarelli, ou O estranho hábito de dormir em pé, do Paulo Sandrini, ou O trágico e outras comédias, da Veronica Stigger, ou Os opostos se distraem, do Rogério Ivano, ou as Ovelhas que voam se perdem no céu, do Daniel Pellizzari, ou o Pressentimento do umbigo, do Leandro Salgueirinho, ou a Regurgitofagia, do Michel Melamed, ou Subitamente agora, do Tiago Novaes, a surpresa e o espanto brigam com a mais pura inveja. Os novos autores têm apresentado, hoje, coletâneas e romances de estréia muito superiores aos dos estreantes da década passada."
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AINDA ORANGOTANGOS (DOIS)
JORNAL A TARDE, DE SALVADOR (POR RODOLFO S. FILHO)"A coletânea de contos “Ainda Orangotangos”, do gaúcho Paulo Scott, é mais um título que se soma ao catálogo da Livros do Mal. Integrado à proposta estética da editora independente, o livro traz 22 histórias curtas, acompanhadas das ilustrações de Paulo Chimendes e de um CD com uma música para cada história. Um pacote muito bonito e bem cuidado, sintoma da evolução dos editores Daniel Galera e Daniel Pellizzari. Em sua maioria, as histórias de “Ainda Orangotangos” apresentam personagens urbanos, isolados ou quase marginais. Deficientes físicos, artistas, criminosos e tipos vagamente desequilibrados partilham o cenário das ruas de Porto Alegre. Indo do terror às recordações de infância, os contos de Scott conseguem ter unidade - vinda do estilo do autor e da sua preocupação com o aspecto sensório - apesar dos temas díspares. Mesmo que muito bem escritos, os contos estão longe de agradáveis. Seja pelas explosões de violência ou por uma sugestão constante de perigo que as permeia, as histórias não descem leves. Ler o livro em uma sentada acentua o efeito, ao contaminar as narrativas mais leves - como “Sopros de Ampulheta” e “Casacas Grenais” - com o peso das anteriores. Além de tratar temas difíceis sem sentimentalismo ou a irritante preocupação de oferecer soluções, “Ainda Orangotangos” se destaca por seus experimentos formais. Parágrafos são desmontados ou compactados, histórias são contadas fora de ordem ou começam depois do seu início, criando efeitos que fortalecem o texto sem prejuízo."
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AINDA ORANGOTANGOS (UM)
JORNAL ZERO HORA, DE PORTO ALEGRE (POR EDUARDO NASI)"Em edição requintada, com gravuras de Paulinho Chimendes e CD com composições exclusivas de artistas da cena porto-alegrense, Ainda Orangotangos ganha lançamento hoje à noite, no Centro Municipal de Cultura. O livro de Paulo Scott, que sai pela Livros do Mal, está cheio de pecadores - que tem como castigo a rejeição. (...) Notadamente urbanos, são gente que veste carapaças intransponíveis e briga (e faz birra) por esse direito. No universo ficcional de Paulo Scott, quem não é assim é quase etéreo, gente que some em seguida como a menina de Carros Velozes. A linguagem de Scott tem peculiaridades: o autor usa espaços de tabulações em vez de parágrafos e adota finais repentinos em seus contos. O tom underground é reforçado pelo preto-e-branco das gravuras de Paulinho Chimendes, que concedem ao livro um certo ar de fanzine.
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Setembro 14, 2007
AINDA ORANGOTANGOS - EDITORA BERTRAND
FOTO - DIVULGAÇÃO (POR FERNANDA CHEMALE)
Agosto 01, 2007
CRUCIAL DOIS UM (SETE)
ROBERTO OLIVEIRA (ATOR E DIRETOR DE TEATRO)"A mim parece que a Vanise Carneiro foi desafiada neste trabalho. Desafiada pelo texto diferente e ousado de Paulo Scott. Desafiada pela direção de Gilson Vargas. E, porque não, pela atuação exímia e exemplar do Marcos Contreras, que tá arrasando. Tem momentos de brilho raro. Aqueles momentos em que o teatro acontece."
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Junho 08, 2007
CRUCIAL DOIS UM (SEIS)
FOTO (POR BRUNO GULARTE BARRETO)
CRUCIAL DOIS UM (CINCO)
JORNAL DO COMÉRCIO (POR ANTÔNIO HOHLFELDT, CRÍTICO)"A temporada teatral de Porto Alegre por vezes nos prepara surpresas que o comentarista precisa enfrentar. É o caso da estréia de Crucial Dois Um, texto do escritor Paulo Scott, com direção do cineasta Gilson Vargas.
É um gênero raro, quase inexistente no teatro: a ficção científica. Uma mulher é ressuscitada por agentes de governo, segundo contrato firmado entre empresas e a autoridade, afim de revelar para onde desviou dinheiro roubado. Tema atual. No diálogo que se segue, entre a ressuscitada, que tem 21 horas de sobrevida, e o funcionário encarregado de interrogá-la, surgem situações novas e desafiantes.
Eis a trama instigante que Paulo Scott explora milimetricamente. O diálogo é fluído e natural. A sucessão das situações tem lógica e a psicologia da mulher está muito bem desenhada. Ainda que o homem exista fundamentalmente na trama para ser seu contraponto, também nele o dramaturgo teve disposição para desenvolver alguns traços diferenciadores.
A direção de Gilson Vargas moderniza a representação. Traz a experiência do cineasta: abre-se com uma projeção, situação pretérita daquela que vamos encontrar em cena. Em seguida, o acanhado espaço se amplia e o laboratório (quase que de tortura, a que assistiremos em seguida) se revela. Tecnologia de ponta, com celulares e computadores, é utilizada. A atriz está mergulhada em banhos líquidos e é assim recuperada para a vida. A desumanização absoluta é o clima que envolve toda a trama. Mas a desumanização é gradualmente quebrada, enfrentada e vencida pelas personagens que, sem serem heróis ou modelos de comportamento, mantém suas contradições e suas pulsações e, assim, refletem e reafirmam a própria humanidade.
O cenário de Zoe Degani é, uma vez mais, criativo e provocador, inteligente ao "inventar" máquinas e assim traduzir, com fidelidade, as intenções do dramaturgo. O figurino de Fabiana Pizetta, em especial o de Vanise Carneiro, completa esse clima de homens quase robôs, despersonalizados e automatizados. A iluminação de Fernando Ochôa aprofunda a perspectiva ficcional, na medida em que apresenta projeções de diagramas que cortam a cena, em tons verdes, câmeras em vermelho que fiscalizam as personagens, iluminação geral escura, que obriga a concentração da atenção do espectador sobre a cena, ideada em projeção como que de terceira dimensão, salvo os flashes de luz branca, estridente, que interrompem a cena em momentos determinados e ferem a retina da platéia e das personagens. A trilha sonora de Gilson Vargas e de Gabriela Bervian é escassa, mas marca cada momento, e se revela profundamente emocionante na pequena peça de piano que ocorre em certo momento da obra e se repete ao final. Unidade absoluta de produção.
Vanise Carneiro é sempre uma boa intérprete, mas aqui ela se esmerou: tem o tom de voz, a entonação e o movimento corretos e necessários. Marcos Contreras comporta-se dentro do que se pede a ele, salvo a entonação de voz, que é muito baixa e às vezes termina engolida pelo ruído de máquinas em funcionamento que marca toda a encenação. A presença de José Baldissera, nas imagens do vídeo, é marcante e reforça a impressão do extremo cuidado que a produção teve em todos os aspectos do espetáculo, valendo-se do fato de ter sido contemplada com o Prêmio Funarte de teatro Myriam Muniz.
Por tudo isso, eis um trabalho provocador e inteligente, obrigatório para quem goste de coisas bem feitas, obras que quebrem o cotidiano e provoquem nossa curiosidade."
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Maio 23, 2007
CRUCIAL DOIS UM (QUATRO)
FOTO (POR BRUNO GULARTE BARRETO)
CRUCIAL DOIS UM (TRÊS)
FERNANDA D'UMBRA (ATRIZ)"Sempre tive medo das coisas escritas por Paulo Scott. Não acho que aquilo faça bem. Mas tenho o Paulo aqui na minha estante para casos de desatenção. Às vezes me distraio e o releio (...) Crucial Dois Um é o primeiro (vejam que aqui rola uma provocação) texto para teatro de Paulo Scott, que chega sem se parecer com absolutamente ninguém. Não há com o que comparar aquele argumento, aquela levada, aquele jeito enlouquecedor de descrever o que se passa dentro da cabeça dos personagens.
Mau ator tá roubado com o Paulo. Ator mediano tá fudido com o Paulo. Ator funcional tá morto com o Paulo. Explico: existem atores e atrizes que funcionam. Sabem falar (alto até), sabem andar de um lado pro outro do palco, se mexem razoavelmente (tá certo, ficam esticando aquele bracinho, mas se mexem assim, assim...) e não comprometem o espetáculo. Mas não fazem diferença. É horrível o que eu vou dizer, mas é verdade: se deixarem de fazer teatro hoje, não dá nada. Esse tipo de ator não dá conta do que o Paulo escreve. Não passa nem na porta.
Crucial Dois Um foi dirigida por um diretor de cinema. E o os caras de teatro passam mal quando vêem um cara de fora detonando. E o cara detona. Ninguém montaria essa peça melhor do que esse cara, o Gilson Vargas. O teatro ganhou um diretor e é isso. Ninguém usaria a tecnologia daquele jeito sem ficar modernete. Tudo se presta ali. E se presta ao texto. O que é de uma inteligência sem fim. E além de tudo o Gilson sabe montar equipe (deve ser herança do cinema, onde as equipes são sempre maiores do que no teatro) e o cara trabalha com gente que sabe o que faz. O espetáculo é do caralho.
Há na peça várias imagens inesquecíveis. De silêncio, só com os dois atores ali. Eles estão ali. Ponto. Mas têm que ser bom pra ficar quieto, fazendo barulho com a alma, sem falar nada, quieto. Vanise Carneiro e Marcos Contreras são uns filhos da puta. Quase me matam ali. Conhecem o jogo e jogam contra você, que na platéia não pode fazer nada além de tentar fechar os olhos e não conseguir. Eles podem com Paulo Scott. E isso não é pouco.
Nada falta. Nada sobra. A luz é linda, o cenário é perfeito, a trilha e o desenho de som britam seu coração. E uma linda moça loira fez aquele desenho de som.
Quer sinopse? Em um mundo mais filho da puta do que esse ainda (porra, Paulo...), onde a água é a última moeda, uma mulher recebe 21 horas de sobrevida. Tem sete horas pra se explicar com o governo, sete horas pra resolver suas pendengas pessoais e mais sete pra dar um alô aos seus credores. Enfim, tá na roubada mesmo depois de morta. Um funcionário cuida dela enquanto interroga a mulher. Sua situação poderia ser melhor que a dela, mas este é o pequeno mundo injusto de Paulo Scott, então ele está tão roubado quanto ela. Não vou contar porque. Passa que durante essas horas uma vida inteira escorre na tua frente. A tua vida, inclusive. Já ouviu falar de um troço chamado amor? Eu já."
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Maio 16, 2007
CRUCIAL DOIS UM (DOIS)
CARTAZ (POR FÁBIO ZIMBRES)
CRUCIAL DOIS UM (UM)
FOTO (POR BRUNO GULARTE BARRETO)
Março 31, 2007
VOLÁTEIS (DEZOITO)
CAPA (POR RAUL LOUREIRO)
VOLÁTEIS (DEZESSETE)
REVISTA ÉPOCA (POR GISELA ANAUATE)"Seus contos, poemas e romances, como o ótimo Voláteis (Objetiva), mostram sujeitos ansiosos em cidades inexistentes (...) Os diálogos são poderosos"
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VOLÁTEIS (DEZESSEIS)
MARÇAL AQUINO (EM ENTREVISTA À REVISTA DA LIVRARIA CULTURA)"REVISTA: Quem são os escritores contemporâneos de maior destaque?
MARÇAL AQUINO: Pessoalmente, acompanho com atenção a trajetória de vários autores contemporâneos. Entre eles, um destaque é Luiz Ruffato, escritor da minha geração com um claro projeto literário e, mais que isso, com profundas marcas de humanismo naquilo que escreve. No momento ele está envolvido com uma realização arrojada: um conjunto de cinco livros intitulado Inferno provisório (dois volumes já foram publicados, Mamma Son Tanto Felice e O mundo inimigo), abordando o processo de transformação que ocorreu no país nas últimas décadas. Entre os escritores mais novos, gosto do carioca João Paulo Cuenca, que estreou com um romance muito bom, chamado Corpo presente. Gosto também dos gaúchos Daniel Galera e Paulo Scott."
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VOLÁTEIS (QUINZE)
NOITE DE LANÇAMENTO (LIVRARIA CULTURA - PORTO ALEGRE)
VOLÁTEIS (CATORZE)
REVISTA VOGUE (POR RONALDO BRESSANE)"PAULO SCOTT REFRIGERA A LITERATURA BRASUCA NA PROSA E NA POESIA
(...) o fim do livro me perturbou; e este é um feito. Tem aqueles livros que você termina aliviado, ufa, o pior já passou. Tem aqueles que te devolvem a um estranho conforto, a uma imprevista ternura [como o desfecho de Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, de Marçal Aquino]. Tem os que acabam antes, os que terminam depois, sem contar aqueles que, a gente sabe quais, nem deveriam ter começado [exemplos ao infinito]. Mas a pá de cal de Scott incomoda por dois motivos. O primeiro é por seu modo ríspido, abrupto, com um quê de deus ex machina, solução repentina para os conflitos quase insolúveis dispersos pelo romance, surpresa que lembra o desenlace de certas novelas e policiais noir. Não me estendo nisso porque não sou roteirista de trailer, daqueles que entregam o filme todo [pra que assistir a Match point, do Woody Allen, quando já se saca, pelo “VT”, que deve ser uma merda insuportável pior que Atração fatal?]. O segundo motivo por que o fim do livro me incomodou é de ordem afetiva: ele arrasa de uma vez na imaginação do leitor um quarteto de agridoces personagens que, por 200 páginas, se fizeram amar e odiar com surpreendentes e inexplicáveis ações. Ah, ação é palavra-chave aqui: “inútil... completamente inútil... A campainha toca outra vez (seu olhar permanece fixo no caderno de desenho aberto sobre a bancada), outra vez, garoto histérico... Bebe o resto da vodca e, sem largar o copo, caminha até a porta para abri-la”. Por esta bela abertura percebe-se algumas características lapidares do estilo: a simultaneidade de eventos, a linguagem clara, a destreza na descrição, um tom de desespero sem lugar. E já aí surge um procedimento scottiano admirável: o uso do parêntese. Em todo o livro, os parênteses abrem-se e se fecham como hyperlinks, seja amplificando ou pormenorizando descrições [zooms], seja dando uma segunda leitura do que ocorre, seja passando a idéia oposta do que se ali expõe, ou ainda, como no parágrafo acima, multiplicando a ação. Cinematograficamente, é a velha lição de Eisenstein: um fotograma seguido a outro deve ser uma multiplicação da experiência do espectador [leitor], jamais uma soma. A trama, embora articulada, veloz e eficaz, é o de menos. A maestria do Scott está no desenho ao mesmo tempo rarefeito e tenso dos quatro voláteis pilantras: Sabrina, a desbocada ladra ninfeta, Machadinho, o esquentado bandido sarará, Lara, a vampiresca fotógrafa milionária que sofre de porfiria [espécie de alergia à luz], e o decadente Fausto – o motor da história, um desenhista que caiu na vida loka por excesso de amor à birita, e que tenta, através de um mirabolante golpe, um assalto a uma joalheria, revinventar a si mesmo [o problema de Fausto é que seus pactos nem sempre serão respeitados]. Os [muitos] diálogos são matreiros, usam gíria com moderação, e, embora espontâneos, não padecem daquela naturalidade tosca que vemos por aí na tentativa de, ugh, um certo realismo. A ação, por vezes elíptica, é onde se assenta o romance. É pontuada de descrições criativas, que não descuida de detalhes mas também não os supervaloriza, e de flashes da psicologia de cada personagem, a revelar enquanto sonegam qualquer explicação, hum, sociológica: “O vapor do chuveiro toma o quarto, seu esfumaçado desarruma o branco do teto, afrouxando as pálpebras de Sabrina, até um flash asfixiado lhe cobrir os pensamentos e escurecer, ensejando entre as vozes embaralhadas do dia algo sobre as linhas da sua mão: um eco que se dilui no barulho do chuveiro, um fosso onde ela se precipitará agradecida, no peso da quietude, na proteção fugaz do abandono”. A proteção fugaz do abandono poderia ser o subtítulo desta seca narrativa criminal [um Marçal Aquino on the rocks], que se passa talvez em Porto Alegre [não há menção geográfica precisa, mas o sotaque afudê dos personagens denuncia], entanto, certamente, poderia habitar qualquer metrópole do século 21 – onde fugir, não se sabe muito bem do quê nem para onde, parece ser regra de civilidade; onde temer o resvalo porém acertar no choque deve ser o fantasmagórico sintoma de uma ética particular para permitir a sobrevivência entre anjos e monstros."
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VOLÁTEIS (TREZE)
O GLOBO (POR CRISTINA ZARUR)"A URGÊNCIA EXISTENCIAL NA OBRA DE PAULO SCOTT
Poucos meses depois de lançar o romance “Voláteis”, o gaúcho Paulo Scott volta às livrarias com o livro de poemas “A timidez do monstro” (ambos publicados pela Objetiva), demonstrando manejo na carpintaria de gêneros literários distintos como a prosa e a poesia. Se as diferenças de estrutura são óbvias, há que perceber semelhanças nos livros: a concisão de linguagem, o recorte cinematográfico na forma e a urgência existencial. Em “Voláteis” — um dos dois primeiros títulos da coleção Fora dos Eixos — o autor criou personagens à margem das convenções sociais, gente que circula numa atmosfera de cinismo e transgressão. Num enredo de alta-tensão psicológica os personagens parecem atados num círculo vicioso, fadados a vínculos “vampirescos”. São relações que ora sugam e dominam. Ora seduzem e corrompem. São figuras voláteis não por serem aladas e possuírem leveza. Mas porque são perecíveis, humanamente frágeis e carentes. Não sentir o peso da existência implica encharcar-se de álcool e urgências. O romance dá a dica que o inferno não é o “outro”, mas o próprio “eu” dissolvido em niilismo e desassossego. O texto possui ritmo veloz e tom de roteiro. Há boas descrições e a narrativa tem marcas cinematográficas, com diálogos ágeis, parágrafos curtos que conduzem o suspense. A leitura não pede pausa, entra-se avidamente no script . Como num thriller, cujo desfecho surpreende, a trama de amor, traição e crimes fisga de imediato o leitor."
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VOLÁTEIS (DOZE)
GAZETA MERCANTIL - FIM DE SEMANA"Uma legítima narrativa noir brasileira, triste e contemporânea."
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VOLÁTEIS (ONZE)
JORNAL DO BRASIL (POR PAULO BENTANCUR)
"O leitor que se segure nos braços da poltrona onde - desconfortavelmente - acabará por ler num frêmito só o romance vertiginoso de Paulo Scott, Voláteis. Poucas vezes veremos um título tão poeticamente criativo e tão adequado. As personagens que se cruzam, de forma sempre tensa e esquiva, ora tentando uma aproximação difícil, ora um afastamento já impossível pelo comprometimento em que suas trajetórias se acumpliciam, não se parecem com ninguém que costumamos identificar no dia-a-dia, nem mesmo de vista, ao longe. E, no entanto, não chegam a ser bizarras nem fabricadas, no sentido postiço, pela força criadora inédita do ficcionista, caso ele pretendesse com elas nos escandalizar, tocar, perturbar. Toca e perturba, mas, sobretudo, porque de algum modo a identificação está feita, lá pela página 40 num romance de 200. Identificação que se dá sem que a pretendamos. Scott pega pesado, não alivia jamais, e até a ternura inevitável em alguns trechos sai entrecortada pela necessidade de ação urgente ou mesmo de sobrevivência mínima. Parecem todos condenados, ou pela condição em que vivem, ou por algum tipo de escolha ditado por um atavismo que age inconsciente, ou, ainda, por simplesmente pertencerem a um tempo que não lhes permite menos contundência. E Scott acerta em cheio quando não justifica as situações-limite de seus protagonistas por questões sociais, salvando seu romance de uma mera ficção amparada em teses já exaustivamente demonstradas. Pelo contrário: ele introduz um novo mundo que de novo não tem quase nada já que está aí diante de nós há uma década, pelo menos, porém, cuja absorção pela sensibilidade dos que simplesmente ocupam espaço, gastam oxigênio e lêem o que acontece pelos jornais se dá de forma lenta. Este chamejante Voláteis acelera essa absorção. Querem um gênero? Scott pratica vários, sem perder tempo com experiências que só serviriam para demonstrar o quanto ele pode ser hábil. É ficção pura, psicológica. É romance de suspense. É thriller. Pede um diretor de cinema sem trair o papel impresso para o qual a história foi criada. Só não é romance de costumes, ufa. Mas em breve pode virar... Elementos da ação: um golpe, uma joalheria com características de reduto inexpugnável, um homem maduro seduzido por uma ninfeta impetuosa, uma ex desse homem estigmatizada por uma doença rara e incurável, nenhum julgamento moral (nem amoral), e a presença constante de drogas oriundas da mais sofisticada perversão. O cenário: uma metrópole brasileira parecida com muitas outras, sem que suas especificidades interfiram na condução da história. Uma história quase impossível de tão impactante e, ao mesmo tempo, tão possível, tal a eficácia com que Paulo Scott nos esfrega na cara a realidade já suspeitada - e temida - há tanto, mas só agora inteira recriada literariamente, sem nem um efeitinho narrativo de plástico para nos desviar a atenção daquilo que não só pede atenção, exige. Um dos livros do ano. Sobre esse mundo cotidiano, quando encarado sem desculpas."
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VOLÁTEIS (DEZ)
REVISTA ISTO É"Intenso."
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VOLÁTEIS (NOVE)
REVISTA VIP (POR MAURICIO SVARTMAN)"Fausto é o ponto fulcral desta trama policial que conta ainda com Machadinho, Lara e Sabrina como atores principais. Atores, sim pois o livro já nasceu roteiro de filme. A preocupação do autor/diretor, mais que explicar o pensamento dos personagens, é descrever com detalhes suas reações. O "voláteis" do título não se refere apenas às bebidas alcoólicas, bastante presentes, mas também define a fragilidade das relações interpessoais. Com um estilo alternando entre o sofisticado e o cru, Scott envolve o leitor ao contar a preparação para o roubo de uma joaheria."
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VOLÁTEIS (OITO)
SANTIAGO NAZARIAN (ESCRITOR)"Scott pisa num terreno conhecido de muitos escritores contemporâneos e sai em disparada com um romance alucinado, denso e verdadeiro. Ele simplesmente faz funcionar o que muitos outros tentam."
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VOLÁTEIS (SETE)
CARDOSO, ANDRÉ CZARNOBAI (ESCRITOR)"É um livro incrível. Scott tem um grande domínio do idioma e um estilo muito refinado. Ele não apenas constrói situações de uma potência dramática excepcional como consegue dar a elas uma beleza estranha, uma ternura rara, difícil de explicar."
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VOLÁTEIS (SEIS)
REVISTA BRAVO! (POR ANA LIMA CECILIO)"O tom marginal marca uma literatura brasileira contemporânea ágil e essencialmente urbana, repleta de referências ao universo pop; não abre mão do lirismo, mas não se entrega a um sentimentalismo fácil.
Preste atenção na maneira como o autor entrelaça as histórias das personagens, que à primeira vista não parecem ter nada em comum, a não ser o fato de pertencerem ao mesmo universo vazio."
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VOLÁTEIS (CINCO)
REVISTA APLAUSO (POR NELSON DE OLIVEIRA)"Fausto, Machadinho, Lara e Sabrina: aí está o quarteto fantástico dessa narrativa envolvente, lírica, melancólica e cruel. O primeiro romance de Paulo Scott, autor do bizarro Ainda orangotangos (contos, Livros do Mal), pertence à melhor safra do noir tupiniquim, a mesma da qual fazem parte Marcos Rey, Rubem Fonseca e Marçal Aquino. O alcoólatra Fausto e o metódico Machadinho são pilantras de pequeno calibre, que vivem do que conseguem roubar aqui e ali, disfarçados de entregadores de gás. Lara, ex-mulher de Fausto, é a fotógrafa sofisticada avessa à luz do dia, pois sofre de porfiria, doença congênita agressiva que a proíbe de se expor ao sol. Sabrina é a jovem delinqüente de rumo incerto, que, brotando do submundo barra-pesada, surge do nada e, com seu jeito ambíguo (regrado e desbundado, esperto e ingênuo), devagar vai seduzindo o alquebrado Fausto. Ecos do existencialismo francês, sofisticado e de bom gosto, podem ser escutados nas escadas, nos corredores, nos vestíbulos e nos quartos aristocráticos por onde vagam essas figuras flutuantes. Voláteis não é romance de narrador, tempo ou espaço. É romance de personagens e enredo. O grande conflito do livro – o assalto à joalheria planejado com cuidado ao longo da trama – gira em torno de conflitos menores, de lembranças muito antigas, de rápidos sucessos e de fracassos duradouros. Fausto e Lara estão separados há tempos, mas unidos pelo mal que os consome (o alcoolismo e a porfiria), jamais deixam de se ver. Machadinho e Sabrina, menos apegados à nobreza de certos vínculos, são satélites de brilho excêntrico, girando em torno do casal anterior. Esses quatro protagonistas, sua quieta revolta e sua dor, não são novos na literatura de Paulo Scott. Os quatro já foram retratados, juntos ou isoladamente, em várias das narrativas delirantes de Ainda orangotangos. Foi dessa coletânea que saíram o rosto, os diálogos e o comportamento sinuoso dessa gente estranha. Foi daí que surgiram o grotesco e o sublime, enfim, a prosa refinada de Scott sobre aspectos pouco refinados de nossas metrópoles."
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VOLÁTEIS (QUATRO)
JOÃO GILBERTO NOLL (EM ENTREVISTA AO JORNAL O GLOBO)"RODRIGO FONSECA: O Rio Grande do Sul produziu pelo menos dois nomes de peso nos últimos anos: Fabrício Carpinejar e Daniel Galera. Porto Alegre (e arredores) continua a ser um pólo de invenção literária? O que você leu de inovador nos últimos anos?
JOÃO GILBERTO NOLL: (...) Você citou dois dos novos autores que mais aprecio: Galera e Carpinejar. Não posso esquecer também outros dois novíssimos prosadores do Sul: Michel Laub e Paulo Scott, que acaba de lançar um torturado romance, “Voláteis”. Não é à toa que sejam escritores criados nessas bandas meridionais."
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VOLÁTEIS (TRÊS)
DANIEL GALERA (ESCRITOR)"É o melhor romance policial que li em milênios. O quarteto principal é impecável. Gosto dos parênteses do narrador, como se houvesse um segundo narrador por trás do primeiro, adicionando detalhes e comentários. O estilo de descrição é ótimo também. Adoro o preciosismo na nomenclatura de roupas, árvores, flores."
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VOLÁTEIS (DOIS)
JORNAL ZERO HORA (POR CARLOS ANDRÉ MOREIRA)"(...) Scott entrecruza as vidas desajustadas de quatro personagens centrais, numa cidade sem nome cuja descrição imprecisa parece a de uma Porto Alegre situada numa realidade alternativa. Ao arrombar um apartamento em um edifício, Fausto, ex-presidiário alcoólatra e desenhista frustrado, cruza no elevador com Sabrina, jovem projeto de delinqüente que está sendo perseguida pela polícia após roubar uma moto. Os dois se refugiam no apartamento de uma amiga da garota e ali começa uma ligação que vai envolver também o jovem Machadinho, cúmplice e auxiliar de Fausto, e Lara, elegante mulher com quem Fausto já manteve um romance e que sofre de uma rara doença que a impede de receber na pele a luz do sol. Voláteis parece um romance alagado. As personagens se movimentam ora como se levadas de roldão pela correnteza, ora como se estivessem imersas debaixo de uma atmosfera líquida, densa como isopor. Fausto sonha com um último grande golpe criminoso, enquanto almeja ter a seu lado a juventude e a graça decadente de Sabrina. Lara, presa no apartamento em que vive, vê nos planos de Fausto a ameaça de perder para sempre contato com ele. A trama policial se torna pretexto, embora conduzida com destreza até o fim."
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VOLÁTEIS (UM)
FOLHA DE SÃO PAULO (POR JULIÁN FUCKS)“Maria Valéria Rezende deixou Santos aos 18 anos e desde então tem vivido em diversas cidades do nordeste. Tempo suficiente para que se adequasse ao primeiro critério da recém-criada coleção Fora dos Eixos, em que o livro se insere; a saber: que os autores não pertençam, geograficamente, ao eixo Rio-São Paulo. Entretanto, com relação ao segundo critério estabelecido pela Objetiva, de que os autores tenham originalidade e de que busquem o vigor e a transgressão narrativa, talvez Rezende não seja o melhor exemplo do selo, sobretudo neste último aspecto. Caso mais eloqüente é o do escritor gaúcho Paulo Scott, quase trinta anos mais jovem que Rezende, que, simultaneamente a “O Vôo da Guará Vermelha”, lança seu primeiro romance, “Voláteis”. O título talvez diga algo sobre a natureza dessa narrativa, cujo ritmo alucinado não permite, para usar a acepção óbvia, que as palavras se solidifiquem aos olhos do leitor. Como tampouco os personagens possibilitam que se apreendam com exatidão seus caracteres, passíveis que estão a mudanças de temperamento e a reações imprevistas. Também pudera: Lara, Sabrina, Fausto e Machadinho – sim, no caso dos homens, Scott não teme os nomes de peso no universo da literatura – estão às voltas com planos de furtos, roubos e assaltos, num temível crescer de ambições e aflições. (...) Ressalte-se, da agilidade narrativa, um uso preciso dos diálogos e um relato por vezes elíptico ou fragmentário, para se imaginar o quanto o livro, inspirado nas aspirações dos personagens, pode prender a atenção do leitor e roubar-lhe o fôlego.”
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Dezembro 22, 2006
SENHOR ESCURIDÃO (TREZE)
PAULO SANDRINI (ESCRITOR)"(...) fazia tempo que não via uma poesia tão instigante, madura e osso duro de roer (no melhor sentido que essa expressão possa ter). É um livro que pede mais de uma leitura, a construção é pouco convencional, traz vários estranhamentos a partir de temas comuns, o que tira já a trivialidade da coisa. É um livro novo em todos os sentidos - uma poesia que me soa nova, sem rabugentices, sem xaropadas. Não é uma poesia fácil, contudo não é uma poesia chata, que distancia o leitor; atrai mais à medida que lemos e que tentamos apreender o universo dos textos. (...) O livro me fez criar um interesse novo pela poesia da qual eu ando meio distante há um tempo."
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Setembro 18, 2006
SENHOR ESCURIDÃO (DOZE)
JORNAL DA PARAÍBA (POR ASTIER BASÍLIO)"O livro de poemas Senhor da Escuridão (Bertrand Brasil), do gaúcho Paulo Scott, é uma das obras mais esquisitas e estranhas da literatura nacional nos últimos tempos. O que há de positivo, de imediato, quando se trava conhecimento com a poesia de Scott é que o autor busca um oxigênio e uma respiração por ambientes diferentes dos já saturados caminhos experimentais da vanguarda pós-concretista, dos subdrummondianos e dos redimensionadores da tradição. Scott aspira a sua própria assinatura, traça seu risco e não tem medo de errar. (...) Sem quaisquer obrigações de prestar contas a quem quer que seja, Scott realiza um antilirismo. Diferente de João Cabral de Melo Neto, que a todo tempo dialetizava com a tradição com a qual rompia, o poeta gaúcho assimilando a herança estética pós-moderna não adota o mesmo discurso, embora caminhe na mesma perspectiva de ruptura e renovação. O poeta canta seus temas sem sentido e perversos, abrindo mão de recursos usuais, além de realizar construções que em muito se assemelham a colagens e instalações de artes plásticas. A sua gramática poética flerta de perto com o videoarte. É pulsante a sua imagética que, quadro sobre quadro, vai jogando sinais, signos, sem a intenção de atribuir-lhes uma estrutura ou uma linha narrativa, lógica. Realiza uma obra aberta cujas peças soltas compõem um beco sem saída."
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Agosto 14, 2006
SENHOR ESCURIDÃO (ONZE)
CORREIO BRAZILIENSE (POR BERNARDO SCARTEZINI)"Prosa e poesia, dois diferentes mundos habitados por Paul Scott. Voláteis apresenta uma narrativa veloz e fluida, um entrecho policial que nos apresenta quatro personagens imprevisíveis que se vêem acossados (...) Cada um deles esconde suas próprias razões e não se sabe ao certo quem joga com quem nesse jogo urbano, entre apartamentos abandonados, becos e avenidas. Um
frenesi que lembra John Coltrane, não por acaso trilha sonora dos anti-heróis.
Bem diferente do poeta Paulo Scott. Uma poesia que surpreende o leitor pelas imagens aparentemente sem consonância. Mas tal estranhamento é estimado e perseguido pelo poeta. (...) A poesia — aqui — é um campo de batalha: “Este livro se coloca até mesmo contra parte da dita nova literatura brasileira, que segue produzida e incensada pelos filhos da classe média branca, criados no conforto e segurança dos apartamentos, das certezas pequeno-burguesas, e que pouco conseguem (ou pretendem) avançar além desse universo dos homenzinhos héteros, dominantes, insatisfeitos, falsos-filósofos, falsos-marginais”.
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Julho 01, 2006
SENHOR ESCURIDÃO (DEZ)
JOCA REINERS TERRON (ARTIGO PARA A REVISTA APLAUSO)"Desde muito antes e sempre os poetas brasileiros andam em bandos, em coletivos, em gangues. A condição gregária do poeta brasileiro é tamanha que, se lermos à revelia poemas de integrantes variados da mesma alcatéia, a singularidade não existirá: são lobos de uivo unívoco. E há também as torpezas da filiação, porém para isto podemos desenvolver uma fórmula: que todos os poemas emuladores sejam devolvidos às suas fontes. Assim desta maneira poetas de obra tímida (em extensão) como João Cabral de Melo Neto, Augusto de Campos ou Paulo Leminski de repente ficariam com as burras cheias. Resta saber se ficariam ricos de verdade ou apenas medianamente remediados.
Ao deparar-nos com os dois últimos livros de poesia de Paulo Scott, A Timidez do Monsto e Senhor Escuridão, terminamos por intuir sobre os perigos da desaparição da singularidade. Poeta único no panorama nacional, corpo estranho não facilmente autopsiado, Scott vem produzindo uma poesia de extrema violência elíptica e visualista. Recursos à elipse e à imagem no entanto não são de todo alienígenas à tradição poética brasileira. O que faz então com que Scott possa ser identificado como lobo solitário vagando pelos desertos da poesia brasileira? Em primeira instância, sua dicção, que por subtração de meios (não há quase advérbios e adjetivos em seus textos) adquire certa impenetrabilidade, invariavelmente confundida com hermetismo. Em seus poemas a sintaxe não busca ser amistosa, dando guinadas de locução que incluem farta adjetivação de substantivos ("agrupo da prega de mosquito me tigelando”), deslocamentos de sentido e ambiguidades várias. Ao contrário do discurso direto presente na prosa clara de Voláteis, seu único romance até agora, os poemas de Scott mantêm diálogo intenso com os contos de Ainda Orangotangos, seja na utilização da imagem, sempre obscura e construída por detalhes que são meros indícios do todo, seja na abordagem de um universo lúmpen similar.
E aqui retomamos o principal aspecto da singularidade do autor: permanente espaço de reflexão sobre desmazelos do próprio poeta e de suas vicissitudes sociais e culturais, o poema contemporâneo quase nunca dá voz ao sujeito desconhecido que se encontra à margem. Num processo de intensa dessubjetivação do próprio ego, o cidadão Paulo Scott desaparece na tormenta de seus próprios poemas, cedendo vez aos outros, dando voz àqueles que não tem voz. Um projeto de ordem política, claro, mas sem se ater às limitações estéticas da Política, a poesia de Scott é a de um Orfeu que confundiu os subterrâneos da cidade com o inferno e voltou para contar a todos o que viu."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (ONZE)
DIÁRIO DA MANHÃ DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO (POR ZEMA RIBEIRO)"A VIOLÊNCIA DO MONSTRO
(...)
A poesia de Paulo Scott é isso, essa velocidade toda, toda essa violência. Páginas em preto – não há espaço para páginas em branco na literatura de Elrodris, pseudônimo do poeta-skatista – parecem esconder o monstro tímido do título. Ou economizar mais violência, uma ou outra ilustração de Guilherme Pilla a menos, no “violento” projeto gráfico."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (DEZ)
LEIA LIVROS - SECRETARIA CULTURA SP (POR RAMIRO RIBEIRO BATISTA)"O livro 'A timidez do monstro', de Paulo Scott, apresenta mais um representante de uma nova geração de escritores, cuja produção literária se mostra inovadora, incomum, diferenciada e, ao mesmo tempo, rica. A poética de Paulo Scott beira o inclassificável, algo intermediário entre a poesia, a prosa-poética e prosa. Os textos de Paulo Scott são poesias com enredo, instigantes e perturbadores. Este escritor gaúcho não produz apenas ficção, cria palavras, verbos ('minusculam a oração na boca' ou 'sonhei que discotecava na sala'), ou conjuga o impossível ('os dedos engolem/ a sombra da infância') e nos faz lembrar o saudoso Quintana em 'ajeito teu sim/ com os polegares/ frito-o aos gritinhos'. E Paulo Scott atinge a genialidade, a meu ver, em:
'hoje fui atacado por uma dessas aranhas-gota
são animaizinhos que se alimentam da respiração humana
descem pelos azulejos, aí saltam, picam no pescoço
(geralmente atacam em dupla)
e sobem rápidas para o couro cabeludo,
a vítima tem menos de um minuto
para se ajeitar na posição horizontal,
é a única forma de aplacar a dor
que se alastrará pelos globos oculares,
procurá-las é inútil, desista, elas cavalgarão na sua cabeça,
a paralisia durará meia hora,
você não adivinha a saudade que me veio
quando o efeito do veneno passou'
(in 'Ainda o movimento para o primeiro amor', p.77)
Ou o máximo da criatividade em:
'piso na areia, percebo o bilhete laranja espetado no graveto
seco, “escolha uma dia de verão em que a água esteja muito
fria, aguarde até que uma menina (dessas com menos de
nove anos, com os ossos ainda tenros) entre no mar, sem
que haja alguém por perto, e, sem desvestir as roupas, entre
no mar também e a carregue pela cintura, nadando rápido
até os dois desfalecerem; ela se tornará sereia”, dobro o
bilhete e o enfio no bolso, evito encarar o oceano, algo
me aguarda nas espumas da rebentação'
(in 'Roteiro básico para fabricar sereias', p. 103)
Paulo Scott é outro escritor referendado pelo poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, que assina o prefácio de apresentação da obra, e esclarece: 'Em uma poética moderna e fraturada, Scott reúne o que antes alimentava poetas católicos como Jorge de Lima e Murilo Mendes ou ateus como Jim Morrison e Rimbaud: evidência e violência...' (p. 9). O livro 'A timidez do monstro' reúne textos produzidos pelo autor de agosto de 2003 a janeiro de 2005. Edição de 2006."
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Maio 10, 2006
SENHOR ESCURIDÃO (NOVE)
REVISTA CULT"(...) com certeza leitores vão estranhar os textos de Scott, achando que aquilo não é poesia – em parte o preconceito decorre da idéia romântica do poema, bobagem que continua a persistir. Deve-se lembrar que muitos poemas considerados como 'anti', quando apareceram, se tornaram canônicos, como foi o caso de Drummond e aquela pedra."
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Maio 06, 2006
SENHOR ESCURIDÃO (OITO)
CAPA (POR PAULO CAETANO)
SENHOR ESCURIDÃO (SETE)
JORNAL O POPULAR DE GOIÂNIA (POR ROGÉRIO BORGES)"O LADO POUCO APRAZÍVEL DA VIDA É RETRATADO DE FORMA FORTE E SUTIL EM
SENHOR ESCURIDÃO, NOVO LIVRO DE POEMAS DO AUTOR GAÚCHO PAULO SCOTT
A poesia como veículo de declarações de amor, de versos singelos ou caudalosamente românticos, de louvação à vida, à natureza, à entidade humana não é a poesia do autor gaúcho Paulo Scott. Escritor jovem, ele prefere fazer um outro uso do poema. A grande característica de Senhor Escuridão, sua mais recente obra no gênero, publicada pela editora Bertrand Brasil, é mostrar que também existe uma espécie de lirismo feio, sem idealizações, que abre as feridas da sociedade sem dó, pouco importando se o choque será forte demais. Quem lê os poemas do livro, compostos em sua maioria com concisão e até de forma seca, se depara com uma visão pouco abonadora do homem e de seus atos, de seus segredos e podridões, de suas angústias e fantasias, de suas práticas e costumes. As relações entre as pessoas ganham um contorno triste e nada elogiável, numa constante negociação em que a mais-valia dita o comportamento, em que o egoísmo está em quase tudo, em que os valores éticos são simplesmente jogados na latrina, sem remorsos ou punições. Um dos poemas mais emblemáticos disso é Massa Instantânea. Com apenas três versos, o autor aborda, de forma bastante direta, a questão da injustiça social em uma de suas facetas mais cruéis. Mas essa abordagem não é panfletária, gratuita, não traz em seu cerne o afobamento de passar uma mensagem política e socialmente engajada. Ela é quase de um cronista, de um observador mais atento, que não se conforma com uma visão superficial, rasa. Ele vai mais fundo, tocando até certo ponto no lírico, em que a crítica acaba por funcionar de uma maneira mais eficaz. Muitos dos poemas são totalmente imagéticos. Curtos, vários deles são apenas uma imagem, caso de Anabolismo. Não é exatamente uma mensagem que o autor passa nesses momentos e sim um cutucão que ele dá no leitor, chamando-o à interpretação. Facilidade não é o forte de Paulo Scott. Em certa medida, o autor chega a ser hermético, com referências que, a despeito de poderem ser tomadas num plano universal, não disfarçam sua origem pessoal. Isso, porém, não é o maior obstáculo para o entendimento mais rápido dos versos. Essa característica é intrínseca, está nos genes da póetica de Scott e não apenas em sua temática. Scott fala de assuntos muito tristes em Senhor Escuridão. Um deles é a pedofilia e o abuso sexual dentro de casa. Isso está mais ou menos explícito em Odor de Filho Branco, em que uma cena familiar cotidiana é o prenúncio de uma relação incestuosa e covarde. Em Campo de Força que te Observa, a prostituição das ruas e seus cenários ganham tradução nos versos, descrição em que os detalhes fornecem ao imaginário o retrato do ambiente em que a dignidade humana perde muito de seu sentido. O humor é outra arma cáustica que o autor utiliza para enfatizar que a sociedade não anda nada bem. Logo na capa do livro há uma figura, que se parece com o Nosferatu, de Max Schreck, clássico de 1922, que também guarda semelhanças – sem ofensas – com a foto do próprio Scott, estampada na orelha do livro. É uma caricatura que representa a admissão de que todos nós temos nosso lado feio que tentamos esconder a todo custo. Em outro poema, Intelectuais, o escritor tira um merecido sarro da arrogância erudita de parte de nossas elites.Vez ou outra, há uma concessão ao romantismo, como no poema Frank, versos sobre dois amigos que estão em dúvida se devem começar a namorar. Afinal, podem até ser poucas, mas o mundo ainda conserva algumas belezas."
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SENHOR ESCURIDÃO (SEIS)
GAZETA DO POVO DE CURITIBA (POR IRINÊO NETTO)"As chances de um poeta talentoso ser publicado por uma grande editora no Brasil são pequenas. Microscópicas até. Não importa a qualidade do trabalho. Leitores de poesia são a minoria da minoria. O extremo estreito do funil que representa a parte da população interessada em literatura de imaginação. Como raio que cai duas vezes no mesmo lugar, o feito de Paulo Scott (além de escrever bem como poucos) foi publicar, somente neste ano, dois livros de poesia por duas grandes editoras brasileiras: A Timidez do Monstro (Objetiva, 112 págs. com ilustrações de Guilherme Pilla, R$ 29,90), seguido de Senhor Escuridão (Bertrand Brasil, 160 págs., R$ 25). Ao tratar sobretudo da solidão e do amor, o gaúcho passa também pela prosa – é autor dos contos de Ainda Orangotangos (2003) e do romance Voláteis (2005)."
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SENHOR ESCURIDÃO (CINCO)
FOLHA DE SÃO PAULO - EDIÇÃO ESPECIAL - 19ª BIENAL DO LIVRO DE SP"O autor nos esmaga e nos paralisa com o inusitado de seus versos cruéis, capazes de enxergar aspectos da realidade que escaparam mesmo aos grandes poetas."
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SENHOR ESCURIDÃO (QUATRO)
JORNAL EXTRA CLASSE (POR CÉSAR FRAGA)"Scott utiliza as palavras menos como punhais contra o leitor e mais como um bisturi, que disseca o cotidiano, na maioria vezes feio, em busca de coisas belas a serem reveladas por debaixo das camadas mais aparentes."
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SENHOR ESCURIDÃO (TRÊS)
CORREIO BRAZILIENSE (POR PAULO PANIAGO)"O perfil profissional de Paulo Scott, até o final do ano morador de Porto Alegre, tinha tudo para não ser de poeta: é professor de Direito Econômico na Pontifícia Universidade Católica, consultor na área de contratos públicos, finanças públicas e proteção do mercado. Mas evidente que não se pode fiar em aparências. O lançamento agora de Senhor escuridão (Bertrand Brasil); o projeto Na TáBUA, que divulga cartazes literários e ilustrados em cafés, livrarias; mais sólida trajetória de livros (outros dois de poesia, um de contos, Ainda orangotangos, um romance, Voláteis), dizem o contrário. O livro de contos está em adaptação para virar longa-metragem, produzido por Clube Silêncio, a segunda maior produtora do Rio Grande do Sul, e dirigido por Gustavo Spolidoro. A pergunta para ele foi, poesia cura ou agrava a situação? “Os dois. Às vezes, é preciso levar o paciente até as últimas conseqüências para a cura vir”, responde. Depois modula: “Poesia ajuda a diminuir a solidão a que estamos condenados todos nós, mostra que as loucuras da emoção nada são além do que o próprio viver; poesia é uma ponte, daí, mesmo agravando, cura”. Paulo Scott escreve como quem dá navalhadas, sem dó. Num dos poemas, “Roteiro”, enumera temas, quase memórias, “as tripas dos sonhos e pesadelos, talvez, o que sobrou de algumas batalhas pessoais, as chagas, vai ver nem isso” e ainda, “uma tensão de confessionário e uma dúvida sobre a possibilidade da mentira”. Deixou alguns poemas de fora, cujos temas ainda são espinhosos demais, motivado também por ele não estar “pronto para enfrentá-los por aí, existindo”. Ou seja, tem mais chumbo grosso no horizonte."
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SENHOR ESCURIDÃO (DOIS)
FOLHA DE SÃO PAULO (POR MANUEL DA COSTA PINTO)"(...) Os poemas de Scott estão sempre no limite da inteligibilidade, com imagens que nascem menos das correspondências entre som e sentido que do atrito (...) Scott passa ao largo dos valores dominantes da poesia brasileira (contenção lírica, construtivismo); (...)"
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SENHOR ESCURIDÃO (UM)
APRESENTAÇÃO DOS EDITORES"A escrita violenta e poética de Paulo Scott vem sendo considerada uma das mais instigantes e criativas da literatura brasileira contemporânea; seus conteúdos e formas resultam em labirintos densos, cuja lógica própria (às vezes, de um hermetismo fascinante) levará de maneira invulgar ao novo e ao estranho, redesenhando e confrontando dilemas que - envolvidos de amor, maldade, vazio, esperança - são os dele e também os de todos nós. Quem não gosta de poesia vai gostar demais deste livro. Já quem gosta vai ficar paralisado por uma febre que só é trêmula no íntimo. Um dos grandes méritos de Senhor Escuridão é que o leitor, mesmo atento, será pego desprevenido. Não existe defesa diante da força das imagens que estalam no miolo do livro, entre a capa e a contracapa. Porta de entrada, não para o inferno, mas para o vácuo, o buraco negro, a fagulha extrema que significa não apenas existir, porém, mais do que isso, viver: ação vertiginosa, movimento brusco em demasia no qual a paz já não respira."
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Maio 03, 2006
A TIMIDEZ DO MONSTRO (NOVE)
CAPA (POR RAUL LOUREIRO), ILUSTRAÇÕES (POR GUILHERME PILLA)
A TIMIDEZ DO MONSTRO (OITO)
O ESTADO DE SÃO PAULO (POR PAULO BENTANCUR)"PAULO SCOTT SACODE O GÊNERO COM A TIMIDEZ DO MONSTRO
Não adianta, a poesia bailou. A festa promovida por Paulo Scott, que recém-lançou o desconcertante romance Voláteis e que se prepara para reincidir num gênero que ele definitivamente está sacudindo, a poesia (Senhor Escuridão, a sair na próxima Bienal Internacional do Livro de São Paulo), é regada a substâncias que não identificamos e, no entanto, não nos fazem sonhar. O sonho vinha de antes, do lirismo sem liberdade e acomodado que nos deixava adormecidos ou nos distraía com alucinações pseudo-adultas. A Timidez do Monstro nos dá o safanão inadiável e nos carrega para encarar uma manhã desfigurada. São 57 poemas roendo a corda do relógio, instalando-se, como um vírus, felizmente já identificado. Há toda uma literatura sobre esse vírus: Histórias Curtas para Domesticar as Paixões dos Anjos e Atenuar os Sofrimentos dos Monstros, Ainda Orangotangos, mais o romance já citado e, agora... isto! Sim, porque como podemos classificar A Timidez...? Nada tímido, a começar pelas fortes ilustrações de Guilherme Pilla, a impedir que o leitor tome fôlego entre um poema e outro. O "eu lírico" encontra em Scott uma capacidade assombrosa de extirpar de si mesmo, não a consciência, mas a falsa consciência, recoberta de um típico traje a passeio, em geral posto para lisonjear o leitor pela performance e exemplar comportamento do poeta. "Monstro" é uma facilidade que Scott se permite, nos dando uma chance. Mas é só. Antes ele já dispôs a armadilha na palavra "timidez", autenticada pelos versos breves, ressecados de gordura verbal ou imagética. Estamos não numa clínica, ou num cemitério, ou na rua sem defesa. Estamos diante, não do espelho e sua mensagem óbvia, cansativa; o cenário - não há cenário. Chega uma hora (lá pelo quinto poema) que precisamos de ar, que decidimo-nos por reler o livro. E recomeçamos, tensos, tontos, tomados de uma febre que é antiga na vida e nova na literatura: eis a contribuição de Paulo Scott e sua poesia de sintaxe descarnada, de vocabulário espesso e inesperado. Essa festa regada a procedimentos nada recomendáveis (e, no entanto, tão saudáveis para um gênero que pede traição) convida para orador a terceira pessoa. Naturalmente, o "eu" escreve sua crônica. Mas há a onisciência no que é "narrado", apresentando o poema como um espaço frágil e blindado ao mesmo tempo. "Decifra-me, devorado", ordena o poeta. De resto, o distanciamento de quem assiste o pesadelo da consciência muda ou tentando retocar gritos que nem ela escuta é a voz recorrente. Em verdade, não há recorrência, nem monstro, nem timidez. Quem não engoliu essas pedras com musgo, vai engolir agora. Simplesmente porque as conhece - não tanto da literatura antes de Scott - , mas da existência e seus sinais, pouco identificáveis se nos faltam senhas como, por exemplo, A Timidez do Monstro. O poeta usa o verbo: seu poema convive com a ação - mesmo a inominável. O poeta usa o presente, o imperativo. Nada de reminiscências. Nada de vagos acenos para gestos largos e tímidos. (Daí a armadilha da "timidez"). O poeta refere-se a cenas próximas, próximas demais, íntimas sem a lantejoula inútil e superada da intimidade com seu pudor transparente. Não. O poeta Scott trata a poesia como se nela nada existisse além do vórtice do que explode e é abafado pelo verso. O mundo não é gemido. Há pressa na monstruosidade, ainda que haja o peso de carregá-la. A Timidez do Monstro leva em seu bojo (leia o poema "estojos", aí o mostro tornado vítima) as duas caras que nos sobraram - se duas, nenhuma - depois de arrancadas todas as máscaras."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (SETE)
JOÃO GILBERTO NOLL (ESCRITOR)"Paulo Scott é de fato um poeta profundamente insólito, insólito não para meramente confundir, mas porque essa é sua maneira autêntica e vertical de experimentar o misterioso estar das coisas. Cada dia fica mais claro para mim sua condição necessária para o ativismo poético: um hermetismo inexorável, que quase toca nos objetos para poder insinuá-los, já que não é mais possível dizê-los com os reforços da complacência."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (SEIS)
REVISTA VOGUE (POR RONALDO BRESSANE)"FREESTYLE
Para Scott escrever é andar de skate, deslizando por corrimãos, assustando pedestres, carcomendo a madeira do shape na irregularidade do cimento como quem molda o intelecto batendo a cabeça no muro, no chão, no vão entre as coisas que se perdem velozes na retina. A prosa de Voláteis, segura e fixa à narrativa, tem certamente berço na poesia estilhaçada de Elrodris [pseudônimo do orangotango], um monstro gentil que vê o mundo de lado, captando-lhe o rabo, sem jamais buscar compreendê-lo ou justificá-lo. Sendo assim, (...) advoga em causa própria e mete nas livrarias também um livro de poemas: A timidez do monstro [Objetiva], edição lindamente ilustrada pelo genial Guilherme Pilla (...) Por falar em sk8:
skate
rápido, só enxergo vogais
quando tento sorrir
o pescoço dá um rabo
de azulejos quebrados”
Elipses violentas, fragmentos cortantes de imagens aparentemente sem sentido, tudo manejado por uma linguagem entre o prosaico e o difícil. Aqui, uma espécie de poética do susto:
metro
urgir o medo que causo,
lembrar: contra ele mal atrevo
rodar com o pescoço da negação
cruzar ruas no escuro
[assoprar a ferida da risada]
cuspir palavras com as mãos
algo que há de ficar no rosto,
algo há de entalhar
estes restos
aqui, ó, escuta:
batidas de apresso,
não é mais coração”
Nutrida com noite [como em “primeira farda do anjo”], a poesia de Scott não é quadro pra pendurar na sala – algo que não combina com o sofá [eis uma possível definição de arte]. Fica ressoando um tempo na cabeça, entre falas nonsense e imagens desconcertantes, até que vira um resto de luz borrado, um soco inglês guardado no freezer das veias sangüíneas."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (CINCO)
O GLOBO (POR CRISTINA ZARUR)"LIRISMO SEM ASAS OU PROMESSA DE CONFORTO
(...) O autor não está disposto a fazer concessões, nem há indícios de querer seduzir. O lirismo oculto de Scott não tem asas, nem promessa de conforto. São versos produzindo cortes. Como cacto, pode ferir e enterrar o espinho e a estranheza no leitor. Como fotograma traz em si o recorte, o detalhe capturado fora do senso comum e da lógica cartesiana. É poesia escassa de adjetivos, mas não de verbos e imagens. As ilustrações feitas por Guilherme Pilla casam perfeitamente com os poemas. E o contraste do preto e do branco nas páginas combina com a escuridão interna dos versos. Serão versos desgarrados de sentidos? Não. Como poeta, Scott não teme enigmas ou hermetismos."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (QUATRO)
FOLHA DE SÃO PAULO"Com ilustrações de Guilherme Pilla, a obra é uma instigante incursão à poética severa de Scott."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (TRÊS)
JORNAL ZERO HORA (POR CARLOS ANDRÉ MOREIRA)"São versos que recusam o lirismo fácil e investem na fragmentação das situações. Daí também advém o título: a timidez do monstro é uma referência ao papel deslocado da sensibilidade artística frente à realidade."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (DOIS)
FABRÍCIO CARPINEJAR (POETA)"Paulo Scott está em guerra. Em suas poesias, destila códigos ocultos, profecias escondidas no texto, visões a serem decifradas entre os versos, palavras minadas que se forem cruzadas viram crucifixos. Scott não veio para brincar, satisfazer egos, brindar com espumantes. É um profeta, paranoicamente criativo como um profeta, com estratégias militares de um profeta. Não peça para que leia sua mão, ele vai cortá-la. Não pergunta a ele se o emprego vai funcionar, se terá riqueza, se encontrará a alma gêmea, que ele está se lixando pelos resultados, concentrado na vastidão das pequenas feridas. “Trate logo/ porque/ num lugar sempre sangra.” Em uma poética moderna e fraturada, Scott reúne o que antes alimentava poetas católicos como Jorge de Lima e Murilo Mendes ou ateus como Jim Morrison e Rimbaud: vidência e violência. Ver é prever: ver é antecipar o que vai ser pensado. Adota o sacerdócio da intuição. Há um escopo alucinógeno em seu ritmo, uma mística dentro da banalidade (que como diz Drummond, é a originalidade coletiva). Insiste em gerar o estranhamento do trivial, falando unicamente por imagens, em doação selvagem aos sentidos. Seus poemas dilaceram, não organizam absolutamente nada. É um ato agressivo que só o amor pode gerar, ainda que não seja compreendido na hora. São poemas insones, longe da lógica do sono, e sim imersos na falta de lógica da ausência de sono. Mantêm o estado alerta da descontinuidade e da ruptura com um pensamento hierárquico (tudo tem valor), de satisfação ao consumidor. Scott mostra que o excesso de consciência deforma, ao contrário do que se acredita e se credita à perda de consciência e ao inconsciente. Ele desorbita a natureza, sexualiza cada elemento. Muda o gênero da escuridão (fica masculina), fala da gravidez do limo ou narra o ato de felação com a luz: “lambe/ lambe/ é aqui”. O sacrifício da intencionalidade significa em ganho de experimentação. O autor produz o desconhecido da linguagem a partir de junção de vocabulários amplamente conhecidos. O poema tem vida própria, que cabe ao autor admirar ou assistirr, não interferir. Nesse sentido, o escritor colabora para o efeito, a instantaneidade (mais do que espontaneidade) da nomeação. Preconiza a visualização pela cor, ao invés de sinalizar a forma pelo contorno da figura. A infância é cinza, a adoração é amarela, a noite é verde.
“foi movimento de asas,
agora, é apenas
uma cor difícil”
São planos de um filme, que expressam a consciência autoral ao colidir suas imagens, e nunca agrupando as tomadas em uma seqüência linear. São objetos vivos, que não se fixam. São retratos verbais distorcidos e desmontados. Pela atuação freqüente de fanopéias, Scott abre espaço para desvios, sem nexos explícitos, expondo por fragmentos um caos psicológico, característico do instante único e irrepetível da percepção. O que importa é a paixão da percepção, desprezando esclarecimento e juízos morais. A plasticidade termina por gerar um laconismo, dando autonomia para as margens. Poesia do absoluto, de humor reprimido, que se faz de descobertas descarnadas e imprevistas.
“espirro contra a vidraça
borboleta de asas
opacas.”
O que são asas opacas? Não adianta questionar. Pois não se trata mais de asas, porém da soma do espirro e do vidro, que, juntos com a borboleta, atingem a opacidade das asas. Não existe a generalização conclusiva das cenas, um final propriamente. Os elementos aparecem pelo valor de suas partes. A justaposição remete a algo novo. Nem uma coisa nem outra. O poema utiliza fração dos signos para formar um corpo distinto. É curioso perceber que Scott, mesmo embevecido da virtualidade surrealista, aposta na sublimação romântica. “Entre as coxas, a erva se guarda.” Canta a lealdade da mulher, a fidelidade feminina, apesar do podre ao derredor, da dor, da doença da posse e da descrença insana dos dias. “Você não adivinha a saudade que me veio quando o efeito do veneno passou.” O mundo externo é um provocador da dissolução interna. “Luz de boate/ dentro das/ veias azuis”. O mundo que se promete protegido na timidez infantil transforma-se em medo adulto da invasão da realidade pela casa, onde “mendigos aguardam a surra no fim da tarde de quarta feira”. A ameaça encorpa o pânico e aumenta a fobia social. Não se trata, portanto, de um diálogo do eu com os outros, mas da incompreensão do outro nos outros, em uma despersonalização gradual, dolorosa e necessária. “Sobreviver demora”, ensina o monstro tímido."
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A TIMIDEZ DO MONSTRO (UM)
VALÉRIO OLIVEIRA (POETA)"(...) Os monstros do Paulo têm essa capacidade maluca de cegar / De furtar o olho alheio / (...) A poesia do Paulo também tem essa força / É risco de lâmina no olho bom. Lâmina-Buñuel: direto no direito"
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Abril 30, 2006
LONDRES (POR SIMONE DA COSTA CARVALHO)
NA TÁBUA 2004 (POR RICARDO JAEGER)
PÓQUET: RUÍDO & LITERATURA 2003 (POR CRISTINE ROCHOL)
FREEZONE 2002 (POR SIMONE DA COSTA CARVALHO)
HISTÓRIAS CURTAS ET CETERA (DOIS)
HISTÓRIAS CURTAS ET CETERA (UM)
LUÍS AUGUSTO FISCHER (DOUTOR EM LITERATURA E ESCRITOR)"Há distância entre o sofrimento real e a sua simulação? Onde termina a dor, onde começa a consciência de estar doendo? Viver e falar sobre viver, qual vem primeiro? Estas são as perguntas que o Paulo Scott se fez, no espelho da literatura. E respondeu com a maior sinceridade artística, quer dizer, o maior disfarce possível. E fez bem, e fez certo."
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LONDRES, 1º DE JANEIRO DE 2001
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